Carreira & Finanças
De porteiro a celebridade
12/12/07
André Ramiro fala sobre fama, carreira e tráfico de drogas
Por Silvia Caseiro
Desirée do Valle
Artes e esportes. Desde pequeno André Ramiro demonstrava talento nas duas áreas. Mas uma de suas habilidades começou a se destacar aos 12 anos quando precisou trabalhar para ajudar a mãe, dona Madalena: a persistência. Como porteiro de cinema no Fashion Mall, Shopping Center da Zona Sul Rio de Janeiro, teve a oportunidade de conhecer um amigo que o levou para as competições entre rappers. A desenvoltura para criar música, acabou com a dúvida sobre qual profissão seguir. Investiu na carreira artística. O talento atraiu a atenção do ator João Velho, que o indicou para os testes do filme de José Padilha. Com humildade, André conta que a bateria de testes rendeu o papel de um dos protagonistas de Tropa de Elite, o filme mais comentado do último ano. O personagem Aspirante Matias conquistou o público e a imprensa. Hoje, aos 26 anos, é famoso, estuda, atua e grava “As Crônicas do Rato Careca”, seu primeiro cd rapper, com lançamento previsto para o Carnaval de 2008.
DNA - Quem é André Ramiro? André - Um ser humano como outro qualquer: passível de erros, que está sempre disposto a aprender e a melhorar a cada experiência. Enfim, mais um filho de Deus, como todos nós. Nem melhor, nem pior. Sou teimoso, sincero, persistente, leal, trabalhador e algumas vezes “chato” e cabeça dura (risos). Um autêntico capricorniano: gentil e cheio de amor pra dar!
DNA – O que aprendeu após ter trabalhado em tantos lugares, como bilheteria de cinema, carreto na feira, vendendo salgados, boteco, caixa e posto de gasolina? André - Aprendi que o trabalho dignifica o ser humano. Além de criar um senso de responsabilidade maior, é a melhor maneira de aprender a conviver com pessoas diferentes, lidar com o dinheiro e situações complicadas. Me sinto muito orgulhoso de dona Madalena. Ela me ensinou, desde cedo, o valor dessas coisas. E assim será com meu filho.
DNA - Matias foi seu primeiro personagem? Quais as maiores dificuldades ao interpretá-lo? André - Foi sim. As cenas que exigiam que Matias fosse mais violento foram as mais difíceis. Sou muito pacífico, da paz e do amor total.
DNA - Existe semelhança entre a personalinade de André e Matias? André – Como Matias, sou determinado, ético e honesto.
DNA - De onde vem a criatividade para os repentes (rap)? André - É um dom de Deus!
DNA – Pelo que você se sente mais atraído: a carreira de mc ou ator? André - Fico com a terceira opção: as duas! Amo compor e cantar, assim como amo atuar. DNA - Como está administrando o sucesso repentino? André - Com os pés no chão e focado em minha carreira. Tenho duas frases para definir a fama: a primeira é “O processo é mais importante que o resultado” e segundo, “Fama é igual frase no final de comercial de cerveja: aprecie com moderação.”
Desirée do Valle
DNA - “Essas mulheres me ensinaram a ser homem de verdade”. Você disse isso em uma entrevista que deu no programa do Jô Soares falando sobre sua mãe Madalena, tia Marcia, irmã Andreza e tia Marlene. O quê, de mais importante, aprendeu com elas? André - Minha mãe segue uma “filosofia” evangélica e sempre me ensinou que o mais importante é o amor. Ser verdadeiro e sincero, principalmente comigo mesmo. Essas mulheres são sinônimos de luta, garra e sensibilidade. Seus exemplos me ajudaram a ser um homem honrado, guerreiro, sensível e a respeitar as mulheres como elas merecem. Os ensinamentos foram muito importantes na minha formação. Conheci meu pai com 18 anos e fui criado por minha mãe. Não desejo isso para meu filho. Me considero um bom pai porque tenho essas mulheres maravilhosas ao meu redor.
DNA - No filme, Matias vive um romance com Maria (Fernanda Machado). Mas quando as drogas tornam-se parte do romance, a farda fala mais alto. Na vida real, como agiria André Ramiro? André - Não uso drogas porque não acho que me faria bem. Mas quem sou eu para dizer o que é certo ou errado? Conheço alguns usuários, pessoas que me respeitam muito. Logo, as respeito. A situação é muito complicada porque o Governo proíbe o consumo. Quem é o Governo para nos dizer o que devemos consumir? Minha maior preocupação é a questão das drogas entre as crianças. Tem que cuidar melhor delas. O Governo deve ter vergonha na cara! Ao invés de preocupar-se com o benefício próprio, precisa cuidar do povo. Aliás, não faria mais do que a obrigação. Pagamos nossos impostos pra isso. Não agiria como Matias, porque ele é um policial e tem uma visão mais radical sobre essas questões. Sou um cidadão como qualquer outro, que só quer viver em paz.
DNA - Sua opinião sobre o uso de drogas pelos jovens elitizados é a mesma mostrada pelo seu personagem? André - Claro que não. A questão do usuário é um problema, mas não é o único. Não é apenas a elite que consome drogas. A única diferença é que os ricos têm condições de usá-la em maior escala.
DNA - Na guerra contra o tráfico e a criminalidade, na sua opinião, qual o papel das mães e esposas de traficantes e policiais? André - Ter muita paciência, muita fé em Deus e, principalmente, orientar seus filhos sobre os malefícios das drogas e da violência. Se os jovens não aprenderem o correto dentro de casa, dificilmente aprenderão nas ruas. Não devemos ocultar nada e sim, orientar. Tornar o mundo melhor é cuidar primeiro do nosso lar. Para as mães e esposas imagino que a tensão e a pressão seja muito maior. É importante que, tanto o traficante quanto o policial, entendam o mal que eles podem causar às suas famílias. Além disso, as mulheres devem ser sábias para conversar com carinho e amor e expressar a dificuldade do dia-a-dia. Elas nasceram para ensinar os homens a amar.
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