Carreira & Finanças
“Minha vida é um tsunami”
20/02/08
Ricardo Almeida conta como foi da pista às passarelas
Por Ana Paula Rodrigues
Antônio Chahestian
No B.O.F.E de Elite/Show do Tom
O DNA Mulher conversou com Alexandre no camarim da Rede Record, atual emissora do ator. Usando uma camisa cor-de-rosa com as mangas dobradas, ele exibia algumas das 35 tatuagens que possui espalhadas pelo corpo, mas não quis explicar a origem delas. “Cada uma tem uma história, levaria muito tempo contando”. Ao longo da conversa é difícil não se perguntar: “Mas onde estão os palavrões, as gírias e a cara de mau?” Mesmo aparentemente mudado, continuava à vontade para falar sobre sua vida. Alexandre Frota só dá voltas para falar sobre o envolvimento com as drogas. Quando questionado sobre o vício, desvia o olhar e diz: “Especialmente para os jovens, isso é algo que pode destruir a sua vida”. Entre os trabalhos que o ator se arrepende de ter feito estão os filmes pornôs. Mesmo assim, Frota admite que o mercado erótico de alguma forma foi positivo para a carreira. “Voltar atrás não dá, porque já está feito. Mas me arrependo.” Recentemente, o ex-pit boy foi destaque na imprensa por supostamente ter se convertido ao protestantismo – fato que ele nega. “Acredito que um veículo tentou, erroneamente, criar algum tipo de embaraço numa coisa muito bem resolvida, que é a minha relação com a Record”, dispara. Confira a entrevista sem cortes ou, se preferir, assista o programa Tete-à-Tête.
DNA – Hoje, como está sua carreira? Frota – Vou fazer um pouco de tudo, né? Na verdade, sou colaborador artístico da Record e atuo na área de criação da casa, de novos produtos, novos projetos. Auxilio um pouco todos os programas da casa, que estiverem precisando de idéias, de quadros, possivelmente criando ação na área de direção. É um negócio que sempre gostei. Nunca divulguei isso, mas trabalhei anos em produção. Tenho no currículo uma vasta experiência em show, por exemplo. Trabalhei com a Madonna, Michael Jackson, Bon Jovi, Tina Turner, Sting, Rock in Rio 2. Eu apresentei e trabalhei em quatro edições do Hollywood Rock. Então, tenho uma experiência grande com essa parte operacional de show. Fora isso, produzi teatro também. Sempre fui muito palpiteiro nas novelas e nas coisas que fiz. Sempre transitei bem com a parte técnica com a parte de produção das emissoras por onde passei. Agora surgiu essa oportunidade que já vinha ensaiando, cavando há muito tempo, mas não tinha tomado iniciativa ou tinha parado para fazer isso. Daqui pra frente isso é a minha vida.
DNA – Como você avalia sua trajetória até aqui? Frota – Minha trajetória é um tsunami. Fiz de tudo um pouco. Comecei muito cedo, fui figurante de ópera, fiz O Guarani, Dom Giovani no Teatro Municipal, tive contato com aquele mundo de ópera, cenário, figurante, cantores...
DNA – Você tinha quantos anos? Frota – Eu era muito novo, devia ter uns 18, 19 anos. Depois consegui uma bolsa de estudos no Rio de Janeiro, no tablado da Maria Clara Machado. Fiz tablado durante cinco anos, participei de várias peças e lá, comecei a me envolver com a produção. Então, os atores terminavam o ensaio e iam pra casa e eu ficava cuidando de figurino, de som, das músicas, do cenário, ajudava a pintar...
DNA – Fazia de tudo. Frota – É, acho que veio dessa base aí. Depois fiz teatro amador, teste pra novela, passei e aí comecei minha carreira em telenovela. Foram 12. Também minisséries, depois fiz Matou a Família e Foi ao Cinema, com Levi de Almeida, que foi um clássico do cinema brasileiro. Minha carreira foi de altos e baixos derrapei ali, acertei aqui.
DNA – Se arrepende de alguma coisa? Frota – Têm algumas que me arrependo, têm algumas que se eu pudesse não faria mais. Mas também são coisas que foram experiência, nunca fiz nada gratuitamente. Por mais estranho que possa parecer, desaconselhável para a classe artística, para a sociedade, nunca fiz nada gratuito. Tudo que fiz teve um intuito, teve um porquê. Posso até ter errado, no caso, por exemplo, dos filmes pornográficos. Eu confesso que errei, vendo hoje de fora errei ao ter feito, incomodei, foi muito desgastante para mim.
DNA – Se pudesse voltaria atrás e não teria feito? Frota – A gente não pode, né, então não tem jeito. Está filmado, vai ficar aí. Mas é um negócio que foi desagradável. Ganhei dinheiro? Ganhei. Vivi bons momentos? Vivi. Mas não vale a pena.
DNA – O saldo não é positivo... Frota – Pra mim até foi. Porque se você ver aonde me encontro hoje, dentro de uma emissora, com o respaldo e o carinho que estou tendo por parte do pessoal, das pessoas. Fiquei um ano e 10 meses com o Márcio Garcia, o que foi fundamental na minha carreira. Porque depois que eu fiz os filmes parecia que eu só tinha feito os filmes. Todo mundo esqueceu do Alexandre Frota de antes: da casa dos artistas, dos realities shows em Portugal... Eu sou o único cara no mundo que fez três realities shows. Se você somar o tempo de confinamento dentro das casas ninguém vai fazer.
DNA – E gostou da experiência? Frota – Gostei muito, é uma das coisas que tenho vontade de dirigir. Minha experiência é tão grande que eu acho que me daria bem na direção. Então, e aí esqueceram o meu passado, as coisas que eu fiz, boas e ruins. E aí eu achei que tinha que dar um basta nisso também.
DNA – Quando decidiu dar esse basta? Frota – Já tinha tomado essa decisão há algum tempo. Sempre vivi com essa vontade de produzir e nunca assumi isso. Eu estava te falando do Márcio Garcia, né. Se não fosse ele e a Eleonor Correia, que é a diretora do programa dele, talvez eu já tivesse sido esquecido pela mídia, pelo fato de que eu não estava conseguindo outro tipo de oportunidade. E a Eleonor me puxou, me colocou num quadro dela, Lindas e Perigosas, o quadro foi super bem de audiência. Ela me colocou num quadro do programa do Marcio e ele foi genial, me deixou muito à vontade. Fiz 1 ano e 10 meses o programa dele.
DNA – E você vai sair do programa dele? Frota – Eu já saí. Mas foi muito legal, é uma pessoa que tenho um carinho muito grande. E com isso apareceu a teledramaturgia dentro da Record no que diz respeito ao Show do Tom, apesar de ser núcleo humorístico da emissora, a gente fez um quadro de teledramaturgia, que é o Bofe de Elite. E aí me deu também um respaldo grande, através do Tom, do Bruno, que é o diretor. Isso fez a emissora parar e olhar e dizer: “Pô, realmente o cara consertou, o boneco deu corda, tá andando.”
DNA – Você sempre teve fama de polêmico, de bad boy... Frota – Não só fama, né. Eu fui.
DNA – Continua o mesmo? Frota – Hoje sou um cara maduro, concentrado, voltado pro meu trabalho. É difícil apagar essa imagem da noite pro dia? É, difícil. Têm coisas com as quais vou conviver pro resto da vida, como se eu tivesse batido um pênalti e perdido numa final de campeonato.
DNA – Acontece, né? Frota – Acontece e não dá pra você apagar isso, dá pra melhorar.
DNA – Esse é o perigo de estar na mídia? Frota – Esse é o perigo. Mas eu não fujo dessas coisas. Também não posso reclamar da vida, porque eu tive uma vida que poucos vão conseguir ter. Conheci praticamente o mundo todo, fiz amizades em vários países. Conheço a tribo do skate, rock, surf... Tive programas de esportes radicais. Então, o que você pensar do céu, do mar e da terra, eu fiz.
Antônio Chahestian
No B.O.F.E de Elite/Show do Tom
DNA – Uma das maiores polêmicas em relação a você foi seu envolvimento com homens nos filmes pornôs e na G Magazine. Por que acha que chocou tanto? Frota – É porque eu acho que quando você vai fazer um trabalho como esse nunca pode ser algo normal, gratuito. Pelo menos os meus nunca foram. Então, sempre planejei as coisas, sempre trabalhei em cima do roteiro. Ah, a gente vai chocar o público como? O interesse não é uma foto pra eu ficar vendo ou pros meus amigos de academia ficarem vendo. Se a revista é feita para o público gay, vamos trabalhar pra isso, porque é o resultado que importa. Na hora que vivo esse personagem, com outros homens em volta, isso gera uma divergência no mercado, chama a atenção. A mídia fala, gosta ou não gosta, mas vende. Meu grande ponto forte é não ficar na mesmice. Sei da minha opção sexual, então não ligo para o que as pessoas digam.
DNA – Os fins justificam os meios? Frota – Muitas vezes sim. Acho que você tem que ter na sua cabeça a consciência de que quando você faz um trabalho tem ser o mais sério possível. A gente tem que fazer de verdade, tem que ir a fundo.
DNA – Tem algum sonho não realizado? Frota – Já realizei muitos sonhos, mas hoje em dia meu sonho maior é ter saúde e trabalhar, trabalhar... Se você imaginar o que já curti na minha vida... Pô, estou cansado pra isso, acho que fiquei velho. (risos)
DNA – Você tem quantas tatuagens? Frota – 35.
DNA – Qual a sua preferida? Frota – Todas, porque todas têm uma história da minha vida. Não fiz por fazer. Tinha alguma coisa a ver. Cada uma tem uma história, mas se eu for te contar todas, fico uns seis programas aqui...
DNA – Você é casado? Frota – Não. Já fui, né. Sempre fui um cara que falava para as pessoas não casarem e eu casei cinco vezes.
DNA – No total, quanto tempo de casamento? Frota – Nossa, não sei quanto tempo. Meus relacionamentos sempre foram bem longos... Quer dizer, não sei o que é longo pra você, mas três anos, quatro anos...O que menos durou e que eu estava apaixonado, amando, foram dois anos. Mas o errado acho que fui eu, né, porque casar tantas vezes...
DNA – Elas casaram tanto quanto você? Frota – Não... O problema é comigo, verdade!
DNA – Algum filho das suas relações? Frota – Sim, o Maiã, mora em Brasília. Não vejo bastante, mas dentro de todas as datas importantes para que ele se sinta seguro. Páscoa, dia das crianças, Natal, Ano Novo...
DNA – Você sempre teve fama de mulherengo e namorou a Rede Globo inteira... Frota – Não, aí é opinião sua. Mas eu namorei algumas atrizes porque era o meio onde vivia. Se estivesse no futebol, namoraria mulheres ligadas ao futebol. Casei com uma atriz, que hoje é super bem casada, tem uma família linda... A Cláudia Raia.
DNA – Qual é seu tipo de mulher? Frota – Não tenho um tipo de mulher. Gosto da mulher que me atrai, seja ela gorda, magra, magrela, pernuda... Mais do que a estética é aquela situação de bater mesmo, química, pele. Morena, loira, mulata. Eu não posso nem ver desfile de escola de samba, aquela comissão de mulata que vem na frente da bateria. Elas são maravilhosas, não teria vergonha nenhuma de namorar uma mulher assim, e de outros tipos também.
DNA – Teve algum relacionamento durante as gravações dos filmes pornôs? Frota – Não, dei sorte nisso. Foi uma etapa da minha vida que eu estava livre, desimpedido. Falei que não queria saber de mídia, de novela, não quero ninguém falando nada pra mim. Era eu e eu.
DNA – A notícia mais recente foi sobre sua participação nas igrejas evangélicas. Você agora participa de cultos? Frota – Não. Eu sou um cara que sempre procurei conhecer de tudo um pouco. Sempre fui muito autêntico. Se eu tivesse me tornado evangélico, e não é por causa da Record, eu já teria contato para você agora. Sou católico, não vou à igreja, mas aprendi a agradecer a Deus. Andei freqüentando, mais fazendo uma peregrinação por igrejas evangélicas diferentes. Por que não falaram quando fui pra Aparecida do Norte? Eu acredito que um veículo tentou erroneamente criar algum tipo de embaraço numa coisa muito bem resolvida que é a minha relação com a Record.
DNA – Você teve problemas com drogas um pouco antes da Casa dos Artistas. Frota – Foi bem antes.
DNA – Quando foi? Frota – Eu não falo muito mais sobre isso, mas é como um exemplo para os jovens. É um mal que pode te levar a perder tudo. Não é só ter um problema muito grande. Você desencadeia um distúrbio generalizado com amigos, família. Você perde bens materiais, perde o sorriso. Sou um sobrevivente. Passei por uma experiência que para mim foi crucial, mas eu dei a volta por cima.
DNA – O vício veio com o sucesso? Frota - Não relaciono uma coisa com a outra. Eu relaciono as companhias. Óbvio que ninguém te induz, você faz porque quer. Mas se você anda com pessoas que não vão por esse caminho, você pode seguir um caminho mais saudável.
DNA –Tudo que você viveu é essencial para o que você é hoje? Frota –Tudo isso que passei me mostra mais calma, a não ser tão emocional, não ficar tão aflito, ansioso. Uma série de coisas que me mostram outro lado. Você passa a enxergar um monte de gente que você não vê, que fazem parte da vida, o cara que abre a porta, entrega bilhete. De repente você começa a rever seus valores.
DNA – E isso é uma coisa boa. Frota - Vou creditando isso à minha idade mesmo. Não foi nenhuma luz, nenhum milagre. Foi apanhando e batendo na ponta da faca.
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