Culinária
Boas de copo
27/02/08
As cervejas e o paladar feminino
Por Thaís Romanelli
Happy hour. A movimentação no final do expediente de trabalho sugere um encontro com amigos no boteco ao lado. Os homens, acostumados em apreciar uma bebida, não fazem muita questão de convidar as mulheres. O motivo, quase sempre, é porque dizem que elas não sabem beber, apreciar o sabor de uma boa cerveja ou que são fracas para o negócio. Verdade seja dita: isso não é 100% mentira. O organismo feminino é extremamente sensível, elas ficam bêbadas mais rápido e o gosto amargo nem sempre desce redondo. Mas como toda regra tem sua exceção, as mulheres podem ser boas de copo, sim!
Pode escolher! O cervejólogo Edu Passarelli, conta: “Um estilo de cerveja que vem agradando muito o público feminino são as de trigo. As com adição de frutas, como as Lambics belgas, também estão caindo nas graças.” Pois é, o mercado cervejeiro agora conta com sabores especiais mais adocicados e até lights, fazendo com que a ala feminina não fique apenas na doce Malzbier (cerveja com teor alcoólico reduzido). A inglesa Greene King IPA, por exemplo, combina lúpulos garantindo maior validade do produto junto a um gosto amargo, que por incrível que pareça, vem conquistando as bebedoras mais exigentes. “Com apenas 3,6% de álcool em sua fórmula, a IPA é um tipo mais requintado de cerveja e, exatamente por isso, conquista principalmente as mulheres. Essa é a constatação dos proprietários dos principais bares, empórios e restaurantes que as servem”, explica Jeroen De Winter, gerente geral da importadora Boxer do Brasil.
O que é lúpulo? É uma flor da família das canabidáceas - sim, a mesma da maconha! - que entra na composição das cervejas. Apesar do parentesco, a planta não tem efeito entorpecente: serve para dar à cerva seu amargor, além de contribuir no aroma da bebida. Para quem se preocupa com o hábito de entornar uns copos, vai um alento: o lúpulo pode fazer bem à saúde. "Ele possui antioxidantes naturais potentes", afirma Rodrigo Sozo, mestre cervejeiro da Ambev. Como antioxidantes entendem-se substâncias que retardam a deterioração de tecidos celulares. Alguns componentes do lúpulo têm efeito bactericida, tornando a cerveja um ambiente hostil a bactérias causadoras de doenças: os outros são o álcool e o gás carbônico. Assim, cerveja é um porto seguro quando você suspeita da qualidade da água. Não funciona para matar a sede (seu efeito diurético desidrata o corpo), mas dá para escapar de uma diarréia se você preferir cerveja a uma caipirinha feita com gelo de procedência duvidosa.
Docinhas ou amargas, não importa. Gosto não se discute. “Cervejas de boa qualidade e consumidas de forma moderada, dificilmente darão a temida ressaca do dia seguinte. De qualquer forma, estar bem alimentada e consumir bastante água durante a degustação hidrata o corpo e diminui bastante as chances de acordar com a cabeça pesada”, dá a dica Passarelli. Mulheres, que tal convidar os rapazes para uma cervejinha?
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