Turismo
Da erupção vulcânica, o paraíso
10/03/08
Fernando de Noronha: um arquipélago capaz de emudecer o ser humano
Por Thaís Romanelli
Praia da Conceição, a mais extensa do arquipélago
Trânsito, poluição sonora e visual, estresse, um corre-corre para organizar a vida, a sua e da família. O grito do patrão, as filas dos bancos, espera para entrar no restaurante, metrô lotado, a secretária eletrônica do 0800 alguma coisa que te deixa esperando horas. Quanto sofrimento, ó cidadão urbano e metropolitano! Mas existe um refúgio isolado, no meio do Atlântico Equatorial Sul, capaz de fazer você esquecer de tudo isso: Fernando de Noronha, o arquipélago vulcânico mais desejado pelos brasileiros. Aliás, Noronha chega a ser um sonho na vida de muita gente. Quem foi, traz grandes lembranças e o desejo incontrolável de voltar e, quem não foi, terá a chance de ler sobre o paraíso nas linhas seguintes. Pronto para esquecer a loucura da cidade e viajar até Pernambuco, onde fica a ilha? Então, vem...
Origem e descoberta
Cartão Postal, o Morro dos Dois Irmãos, na Baía dos Porcos
A origem geológica de Noronha deu-se com a erupção de um vulcão em uma fresta da crosta terrestre resultante do afastamento ocorrido entre a África e a América do Sul, há 12 milhões de anos e a base dessa enorme formação vulcânica está a mais de 4.000 metros de profundidade. Descoberto por acaso, em 1503, por Américo Vespúcio – participante da segunda expedição exploratória às costas brasileiras, comandada por Gonçalo Coelho e financiada pelo fidalgo português Fernão de Loronha, arrendatário de extração de Pau-Brasil. Loronha recebeu em 1504, a doação da ilha por ter financiado a expedição. Foi a primeira Capitania Hereditária do Brasil, porém, nunca foi ocupada pelo seu donatário.
Características da Ilha O arquipélago é formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de natureza vulcânica em 26 km2. A ilha principal e a única habitada, Fernando de Noronha, tem uma extensão de 18,4 km2, ocupando aproximadamente 91% de todo o paraíso. Parte dela é o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, considerado Área de Proteção Ambiental (APA) desde 1988, com cerca de 8 km². O clima é tropical com calor o ano inteiro, mas duas estações são bem definidas: chuvosa, de janeiro a agosto, sendo março e abril os mais chuvosos e a seca no restante dos meses. A temperatura média é de 25º C e de janeiro a março são os períodos mais quentes. Praias paradisíacas – também procurada por surfistas -, flora e fauna riquíssimas, paisagens sem igual e boas condições ambientais deu à Noronha o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido pela Unesco, em 2002. A vegetação terrestre predominante é composta por espécies típicas do agreste nordestino, rasteiras e arbustiva, geralmente apresentando árvores nas áreas mais elevadas e arbustos nas superfícies mais planas. A fauna é formada por inúmeras piscinas naturais permitindo ao turista o contato direto com a variada e exótica vida marinha do local. As águas das ilhas são repletas de peixes, esponjas, algas, moluscos e corais, por isso os mergulhadores são fascinados pelo lugar. No mirante da Baía dos Golfinhos, ponto turístico da ilha, os golfinhos-rotadores podem ser observados em seu habitat natural. O espetáculo se completa ao nascer do sol, quando grupos de golfinhos se deslocam para o interior da baía, lugar de águas calmas e protegidas. As tartarugas marinhas aparecem a partir de novembro, agrupadas na superfície da água. Neste período os machos adultos disputam as fêmeas iniciando o período de reprodução. O Projeto Tamar/Ibama, cuida das fêmeas, ovos, ambientes de reprodução e avalia a população da espécie desde 1984. A proibição da captura, pesca e molestamento de todas as espécies de quelônios (tartarugas) em águas brasileiras é garantida por um Decreto-Lei. Existem 40 espécies de aves registradas no arquipélago que abriga as maiores colônias reprodutivas de aves marinhas entre as ilhas do Atlântico Sul Tropical. Dentre as aves protegidas pelo Parque Nacional a mais comum é a viuvinha (Anous minutos).
Praia do Meio, localizada junto à praia do Cachorro, pode ser acessada por uma trilha
Atrações Principais pontos de mergulho: Laje Dois Irmãos, Cabeço do Sapata, Iuais, Ilha do frade, Pedras Secas, Ilha do Meio, Pontal do Norte
Surfe: ondas de dois metros com picos de até cinco metros de altura, como os da Laje da Cacimba, Boldró, Ruro e Abrás, são sempre prociradas por surfistas e atletas do mundo inteiro, principalmente entre os meses de novembro e abril.
Praias: todas as praias são belíssimas e preservadas. Mar azul-esverdeado, águas transparentes e cristalinas. Algumas delas com impressionantes formações rochosas, como: Praia do Leão, Baía Sueste, Atalaia, Buraco da Raquel, Baía de Santo Antônio, praia do Cachorro, Praia da Conceição, Praia do Boldró, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos e Baía do Sancho.
Outros: caminhadas, passeios de barco e bugre.
Fique ligado Como chegar: saindo de Natal, capital do estado de Pernambuco, você tem vôos diários para Fernando de Noronha. Outra opção é embarcar em um dos cruzeiros pela costa brasileira. Consulte sempre seu agente de viagens.
Hospedagem e restaurantes: há cerca de 70 pequenas pousadas, classificadas de acordo com o conforto que oferecem. Muitas são antigas casas de moradores, adaptadas para receber os hóspedes. Peixes e frutos do mar são os principais ingredientes dos pratos servidos nos restaurantes simples e aconchegantes de Fernando de Noronha. Uma especialidade local é o tubalhau - famoso bolinho preparado com carne de turbarão.
Fique ligado Informações turísticas Tel: +55 (81) 3619-1352
Aeroporto em Fernando de Noronha Tel: +55 (81) 3619-1311
Aeroporto Internacional Augusto Severo (Natal) Tel: +55 (84) 3643-1087
Aeroporto dos Gurarapes (Recife) Tel: +55 (81) 3464-4370
Taxa de Preservação Ambiental (TPA): A taxa é cobrada de acordo com os dias de permanência na Ilha e tem como objetivo assegurar a manutenção das condições ambientais e ecológicas do arquipélago. Veja tabela de preço no site http://www.noronha.pe.gov.br/ctudo-taxa-precos.asp
|
 |