Comportamento
Endometriose
27/03/08
A doença da mulher moderna é controlável
Por Thaís Romanelli
A endometriose, doença cada vez mais freqüente em mulheres, está relacionada ao ciclo menstrual e ao sistema imunológico, embora sua causa não tenha sido suficientemente esclarecida. Atingindo os ovários, o peritônio, a bexiga ou o intestino, provoca cistos e nódulos que podem causar dores ou dificuldade para engravidar. A doença é caracterizada pela presença de endométrio (tecido habitualmente localizado dentro do útero e que se desprende durante a menstruação) fora da cavidade uterina. Estima-se que cerca de 15% das mulheres em idade reprodutiva têm o problema. Diretamente relacionado a ação do estrógeno (principal hormônio feminino produzido pelo ovário) e com o estresse, o distúrbio é conhecido como a doença da mulher moderna. “De um lado, o estresse leva a uma diminuição da imunidade. De outro, o aparecimento da doença também está ligado a um mecanismo de defesa do organismo. Dessa forma, temos a união de fatores que contribuem para o desenvolvimento da endometriose”, explica a ginecologista Dra. Rosa Maria Neme, que recentemente inaugurou o Centro de Endometriose São Paulo. Segundo dados do Centro, a doença atinge, preferencialmente, as pacientes com nível educacional mais elevado, provavelmente devido ao estilo de vida. Profissionais da área de saúde e financeiro, por exemplo, estão submetidas a níveis elevados de estresse.
Sintomas
Dentre os sintomas de dor, destacam-se a dor durante a menstruação, caracterizando as cólicas menstruais. Essas cólicas, muitas vezes não melhoram com medicações (e são consideradas severas) ou requerem repouso (ditas incapacitantes). Outra variedade de dor é a da relação sexual, principalmente na penetração profunda, que tende a se intensificar no período pré-menstrual. Por fim, quando a doença se intensifica, podem surgir dores fora da menstruação. Como sintomas intestinais, habitualmente “cíclicos”, ou seja, que se intensificam no durante o ciclo menstrual, há a diarréia, dor para evacuar, obstipação (prisão de ventre) ou sangramento intestinal. No trato urinário, a paciente pode se queixar de dor para urinar durante a menstruação, alteração do hábito urinário ou até sangramento na urina. 90% a 95% das mulheres com endometriose têm dor.
Diagnóstico
Segundo pesquisas do Laboratório Fleury e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o ultra-som endovaginal é o primeiro método para diagnosticar a doença, mas não é suficiente. Para ter certeza, o ideal é fazer um exame anatomopatológico da lesão ou uma biópsia, feita através de uma pequena cirurgia ou laparoscopia (procedimento realizado com anestesia geral em que se manipula a cavidade abdominal).
Tratamento
Visando aliviar a dor, reverter o desenvolvimento da doença, evitar a recorrência e preservar a fertilidade da mulher, os tratamentos podem ser feitos com medicamentos ou com intervenções cirúrgicas, dependendo da gravidade de cada caso. A acupuntura é considerada por muitos uma ótima alternativa para aliviar a dor e tratar o problema quando não se encontra muito avançada. Atualmente ainda não há cura, porém remédios como Danazol, Lupron, Synarel, Zoladex, Depo-Provera, e Neo-Decapeptil podem aliviar os sintomas. As que querem engravidar devem tomar um pouco mais de cuidado e conversar com a ginecologista. Muitas vezes é necessário iniciar um tratamento de fertilização antes. Os casos de endometriose profunda também merecem mais atenção, sabe-se que cirurgias muito bem planejadas reduzem significativamente a dor nesses casos, mas essas cirurgias só são feitas em centros especializados.
Previna-se!
Para acabar com o estresse faça massagens relaxantes e tente não deixar pequenos problemas tomarem conta da sua vida. Praticar exercício aeróbio, pelo menos, três vezes por semana durante 40 minutos por aula, é uma boa dica. “A endorfina, produzida com esse tipo de atividade, causa bem-estar, diminui a produção de estrógenos circulantes (que são o alimento da endometriose). É preciso dizer que freqüentar regularmente o ginecologista é importante?
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