Carreira & Finanças
O fim da lista negra
13/10/08
Como limpar seu nome e planejar-se para evitar dívidas
Por Ana Paula Schleier
O nome é o bem mais precioso que uma pessoa possui - quem nunca ouviu isso da mãe, do avô ou de um amigo? Preservá-lo é a melhor forma de mostrar-se aos outros como alguém confiável, de palavra e princípios. Mas, com as surpresas que a vida às vezes traz, nem sempre é fácil ficar longe de listas negras, principalmente quando se trata do pagamento de dívidas. E aí, adeus nome limpo!
Dor de cabeça
“Minha dívida mais séria tenho até hoje, é com a faculdade: devo aproximadamente 20 mil reais. Por conta disso, tenho meu nome no SPC e Serasa”, conta a jornalista Marina Ferreira*, que terminou o curso de graduação em 2005 e ainda não conseguiu sair da lista de devedores. Ter o nome sujo na praça, ou seja, ele constar nos sistemas de crédito - SPC e Serasa - como devedor, implica uma série de problemas financeiros que podem complicar, e muito, a sua vida. “A pessoa não tem mais crédito algum, não pode mais fazer crediário, então, fica tudo mais difícil”, explica Fábio Gallo, professor de finanças da PUC de São Paulo. Junto ao dano econômico, ter contas pendentes traz um peso moral. “Além de não se poder comprar nada a prazo nem abrir contas em bancos ou ter cartão de crédito, existe também a vergonha que se passa em algumas ocasiões, como em lojas quando perguntam se você ´trabalha com cartão´”, conta Marina. Pensando de maneira ampla, é necessário buscar uma solução para a dívida adquirida para, assim, fazer com que os credores retirem seu nome do sistema. Segundo Gallo, a primeira providência a ser tomada é ir atrás da pessoa ou empresa para quem você está devendo e verificar qual a quantia que está em débito. Para não haver dúvidas, é importante ter tudo por escrito. Com base nessas informações, o ideal é levar a dívida para um sistema de proteção, como o Idec, lá irão verificar se sua dívida é coerente ou se a cobrança está inflacionada. Logo, pode-se entrar em acordo com o credor.
Fonte seca
Nem sempre é possível quitar uma dívida de imediato. Muitas vezes, o dinheiro esperado não entra na conta ou não é suficiente para pagar uma fatura, e o que era um pequeno problema acaba tornando-se algo sem controle. “Eu fui protelando a dívida com a faculdade e no fim de cada ano, fazia um empréstimo no banco para pagar a rematrícula. Resultado: pagava o banco, mas não pagava o curso durante o ano em questão”, lembra Marina.
Então, o que fazer quando não se tem dinheiro na mão? De acordo com o professor de finanças, o recomendado é procurar um banco para pedir crédito pessoal ou consignado. “Assim, você quita o que deve por completo. Mas, a partir daí, precisa fazer um bom planejamento para pagar essa nova dívida”, conclui.
Uma boa forma de planejar-se para a mais nova missão é adotar um “orçamento de guerra”, muito utilizado quando a situação financeira não vai bem. A pessoa deve guiar-se pelas quatro primeiras letras do alfabeto, que significam, respectivamente: Alimentação - que abarca o consumo essencial de alimentos (nada de queijo brie!); Básico - contas como água, luz, escola (nele entra a prestação da dívida); Contornável - itens de consumo que podem ser excluídos quando as contas ficam mais apertadas, como banda larga; e Desnecessário - coisas que não precisariam existir dentro de uma única casa, por exemplo, dois tipos de TV a cabo.
Organizando-se desta forma, é possível observar onde podem ser cortados gastos para que não acabe no vermelho novamente e possa pagar tudo o que deve.
Procedimentos práticos
Para limpar seu nome e, melhor ainda, não deixar que ele entre para a lista negra do consumo, algumas dicas práticas podem – e devem - ser seguidas:
- Ter um bom orçamento familiar permite um melhor planejamento e, assim, evita dívidas.
- Não gaste mais do que pode. “Ter dívidas faz com que você aprenda, na marra, a viver apenas com aquilo que tem ou ganha. Com certeza, a pessoa mais gastona pode se tornar mais econômica, aprender a pechinchar mais e se controlar”, explica Marina.
- A única forma de saber se existem registros em seu nome junto ao SPC ou Serasa é procurar um ponto de atendimento destes órgãos em sua cidade ou região.
- Quando for limpar seu nome, não acredite em quem te promete muitas facilidades: pode ser uma cilada. Se tiver dado um cheque sem fundos, vá até a empresa ou local para qual foi dado, pague a dívida e pegue um comprovante do pagamento. Levando a comprovação ao seu banco, ele tira seu nome na lista de devedores.
- Tome conta da sua dívida e não pague imediatamente o que te pedem. Confira a conta e, se não entender muito bem, leve a um organismo de confiança que possa te ajudar.
- Se a dívida for muito alta, primeiro, é hora de fazer um orçamento de guerra. Também é importante tentar negociar e reduzir a dívida. Se não conseguir um empréstimo, tente entrar em acordo com o credor.
- E muito importante: sempre prometa aquilo o que realmente pode pagar.
* nome fictício
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