Filhos
A hora da mesada
28/11/08
Qual o momento certo para dar dinheiro às crianças e, sobretudo, quanto dar?
Por Ana Paula Schleier
Esperar pelo início do mês para receber aquele dinheirinho com o qual sonha em comprar uma revista em quadrinhos, um sorvete e as mais diversas bugigangas é comum a quase toda criança. A mesada é adotada por muitos pais para proporcionar a seus filhos o primeiro contato com o dinheiro.
A função principal da mesada – ou semanada, de acordo com o sistema escolhido – é educar os pequenos e ajudá-los a administrar o pouco que têm, para que, no futuro, saibam lidar melhor com as finanças. “A criança poderá cometer erros com quantias pequenas, e isso dará condição para que não cometa esses erros quando adultas, e com uma quantia muito maior”, explica Cássia D´Aquino, especialista em educação financeira.
O primeiro Real
Apresentar aos pequenos o universo financeiro pode ser feito logo cedo, aos três anos. “Nessa idade, pela primeira vez a criança pede aos pais que lhe comprem alguma coisa”, conta Cássia. Nesse momento, entretanto, não há um interesse didático na relação entre a criança e a moeda, já que ela ainda não tem um poder de compreensão muito grande. Os pais podem combinar que, em um determinado dia, por exemplo, a criança ganhará certa quantia – uma moeda – para comprar algo para si. O importante, neste primeiro contato, é ela aprender a esperar por alguma coisa, e não o manejo do dinheiro em si. Já aos seis anos, há uma noção mais elaborada das coisas e maior disposição para organizar informações, assim, é um momento em que os pais obterão bons resultados ao darem semanada aos filhos.
Porém, atenção: nem de mais, nem de menos. “Às vezes, os pais dão tanto dinheiro para os filhos que eles acabam não controlando seus gastos”, lembra a especialista. Saber exatamente a quantia a ser colocada nas mãos de seu filho nem sempre é uma tarefa fácil, e estar por dentro de sua rotina é fundamental. Para isso, utilizar um instrumento básico, o caderno, pode ser um primeiro passo muito eficiente. “Assim que começarem a receber a semanada, no caso de crianças pequenas, os pais devem lembrar de dar aos filhos uma caderneta para que eles anotem como estão gastando esse dinheiro”, completa Cássia.
Além disso, os pais devem ajudar o filho a se organizar em relação a seus gastos. Isso pode ser feito conversando-se com a criança para saber quanto custam e quais são os itens com os quais ela gasta seu dinheiro. Você sabe, por exemplo, o preço do pão de queijo na cantina da escola de seu filho? Sem esse tipo de informação, é mais difícil determinar um valor ideal de mesada. “Os pais precisam saber que esse dinheiro será destinado às escolhas financeiras de seus filhos, e devem incentivar a guardar parte dele”, comenta Cássia. “ A mesada ajuda a estimular a criança a poupar a curto prazo”, completa.
Por fim, a especialista alerta para o fato de que nem sempre mesadas e semanadas são eficientes. “Há casos em que dar mesada ao filho pode ser algo positivo, como também pode causar um desastre”, afirma. “Dar mesada não é uma condição, mas sim uma possibilidade, às vezes, vale mais a pena uma família que se organiza financeiramente, que se planeja, do que dar mesada às crianças”.
Conta básica
Para aqueles que gostam de tudo na ponta do lápis, a especialista em educação financeira recomenda uma equação simples para guiar o valor da mesada. Até os 11 anos de idade, a melhor opção é a semanada, pois nessa idade a criança ainda não tem compreensão sobre a extensão de um mês. “Nesse caso, calculo a idade da criança multiplicada por 1 Real, por semana. Ou seja, com 10 anos, ela ganhará 10 Reais por semana”, explica. Já dos 12 aos 14 anos, quando é possível iniciar a mesada, o cálculo é de a idade multiplicada por 2 Reais a cada semana.
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