Filhos
Perigo na rede
09/12/08
Como conscientizar e proteger seus filhos dos riscos da internet
Por Juliane Pereira
É praticamente impossível resistir às inúmeras facilidades que a internet oferece. Redes de relacionamento, bate-papos, sites de fofocas, esportes e notícias são alguns dos conteúdos encontrados com apenas um clique. Hoje, dificilmente alguém deixa de acessá-la algumas horinhas por dia, inclusive crianças e adolescentes. Porém, ao mesmo tempo em que ela disponibiliza essas facilidades, também pode levar os usuários a situações perigosas, principalmente quando iniciantes não recebem instruções adequadas para uma navegação segura.
Acessar sites que não são indicados para sua verdadeira idade, receber uma cantada ou ameaças por divulgar seus gostos se tornaram comuns na atualidade, como comprovam os dados de uma pesquisa recém-publicada pela ONG Safernet Brasil, que atua na luta contra crimes cibernéticos. No estudo, 53% dos jovens afirmam que tiveram contato com conteúdos agressivos e os consideraram impróprios para a sua idade.
Cuidados a serem tomados
“Para permitir que os jovens tenham acesso à internet, os pais precisam entender como ela funciona e os perigos que pode oferecer”, afirma o psicólogo Armando Rezende Neto, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP. Desta maneira, o diálogo sobre o que pode ou não ser feito se torna mais fácil quando os sites a serem visitados são conhecidos pelos pais. Compartilhar experiências é um ótimo primeiro passo para saber o que é acessado - incentivar conversas sobre o que é visto na rede também acaba se transformando em uma atividade prazerosa de interação familiar. Outra dica é instalar um software para filtrar algumas informações, evitando a abertura de pop-ups e restringindo sites com conteúdos inapropriados. Além disso, alguns programas como o de bate-papo instantâneo, utilizado por 72% dos jovens, têm ferramentas para a gravação de conversas. Usar apelidos para o login de sites e chats e não divulgar nenhum detalhe sobre seu endereço, telefone, escola em que estuda e locais que costuma freqüentar são ótimas armas contra a ação de pedófilos, visto que, segundo pesquisas divulgadas pela ONG, 72% dos jovens compartilham suas fotos, 61% informam a data do seu aniversário e 51% divulgam seus verdadeiros nomes. “Vale lembrar que os pais não podem se apoiar somente nesses recursos. A supervisão familiar é a melhor forma de proteção”, ressalta Armando.
Sempre alerta
Saber quando alguma situação chega ao seu limite é, muitas vezes, uma tarefa difícil para alguns pais. A partir do momento em que os sintomas de isolamento social - transtornos de impulsividade (não conseguem desconectar da rede), transtornos impulsivos intermitentes (demonstram impaciência) ou sexualidade adiantada (ao marcar encontros com colegas virtuais) - se mostram presentes, talvez seja a hora de suspender o recurso online e abrir um diálogo com bom senso, sem castigos físicos. Segundo Armando, “a família deve ser acolhedora, para proporcionar segurança, afinal, não existe uma idade correta para o uso da internet e o aprendizado de novas linguagens favorece algumas mudanças comportamentais.”
Denuncie!
Durante o primeiro semestre de 2008, 27.876 denúncias de pornografia infantil em páginas e comunidades na web foram feitas pelo site da ONG Safernet Brasil. Do total, 90% são referentes a conteúdos publicados em uma famosa rede de relacionamentos, bastante popular entre o público infantil e adulto.
Todas essas denúncias recebidas são processadas e encaminhadas para o Ministério Público Federal. Além disso, elas auxiliam na CPI da Pedofilia, que, desde março passado, já quebrou o sigilo de 21.591 álbuns privados desta rede de relacionamentos.
Para os pais que desejam realizar algum tipo de denúncia, existe um endereço eletrônico disponibilizado pela Polícia Federal (ddh.cgcp@dpf.gov.br), que, por meio da Divisão de Direitos Humanos, registra as informações e, posteriormente, as investiga, proporcionando maior segurança aos pais e a seus filhos.
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