Carreira & Finanças
Aprendendo na prática
18/12/08
Cursos técnicos criam profissionais que se qualificam pondo a mão na massa!
Por Ana Paula Schleier
Técnico em informática, enfermagem, mecânica, edição de imagem... Cada vez mais, a procura por cursos técnicos ganha força, trazendo ao mercado profissionais especializados nas mais diversas áreas. “Eu fiz curso técnico quando este ainda era junto com colegial e procurei por ele pois oferecia opções diferentes”, conta a web designer Andrea Ronqui, que cursou técnico em artes gráficas e graduou-se em desenho industrial.
O curso técnico prima por dar qualificação em um período mais curto. “Ele visa instrumentalizar a pessoa para que entre no mercado de trabalho rapidamente”, explica o psicólogo Maier Augusto dos Santos, especialista em terapia comportamental e cognitiva.
Diferentemente da graduação, na qual, normalmente, o período de estudo é de quatro anos e é mais direcionado para a parte teórica, os cursos técnicos têm o foco na prática, o estudante aprende fazendo e a duração é de, em média, dois anos. “ É um objetivo a curto prazo, a pessoa sai dali já tendo pra onde ir”, afirma Maier. Assim, o estudante faz o curso, começa a trabalhar e acaba abrindo novas possibilidades. “Você aprende muita coisa nas oficinas, já tem uma profissão e a maioria sai com estágio remunerado”, diz Andrea.
Quem mais procura os cursos técnicos são aqueles que estão em início de carreira, pessoas com mais de 40 anos - que já trabalharam, mas querem novos conhecimentos -, e aqueles que não têm condição para bancar uma faculdade. “Para você ter uma idéia, o custo de um curso técnico equivale a 30% de uma graduação”, afirma o psicólogo. Para o primeiro emprego ou para pessoas que não sabem por onde começar, o método de ensino acaba sendo uma boa opção, até mesmo financeira. “O curso para comissário de bordo, por exemplo, tem duração de quatro meses e custa, em média, 1.800 reais. E o mercado absorve esse profissional, que acaba ganhando, logo no início, de 2 a 4 mil reais”, explica Maier.
Faculdade ou curso técnico?
Existem algumas vantagens dos cursos técnicos em relação aos ministrados em universidades. Como já mencionado, há a promessa do ingresso rápido no mercado de trabalho e, além disso, por estar mais conectado à prática, ele se encaixa de melhor forma às exigências do mercado. “Ele é mais atualizado, mais específico”, afirma o psicólogo.
É justamente nesta especificidade que se encontra uma das diferenças entre esse método de ensino e o existente nas graduações. “A faculdade abre mais possibilidades, não foca em um só ponto, já o técnico é limitado, a pessoa não tem muito para onde crescer”, observa Maier. Por outro lado, falta à faculdade a parte prática da profissão, já que, na graduação, há a tentativa de equilibrá-la com a teoria, mas isso acaba não acontecendo. “A faculdade proporciona outros conhecimentos, oferece o diploma, que é essencial hoje em dia, porém, foca mais na teoria do que na prática, e por ser muito abrangente, acaba requerendo uma especialização, seja num curso mesmo ou com experiência no emprego”, afirma Andrea.
Qual seria, então, a melhor opção: a faculdade ou o técnico? “Tendo dinheiro, a graduação é melhor, pois, a longo prazo, amplia seu conhecimento sobre o assunto e, futuramente, você ficará melhor posicionado no mercado, inclusive com melhores salários”, argumenta Maier. Se a grana estiver curta, o outro método de ensino é uma boa saída, e pode servir até mesmo como um passo para a futura graduação, pois entrando no mercado, é possível adquirir o dinheiro necessário para uma faculdade e experiência suficiente para saber exatamente em o que se aprofundar. “Para adquirir experiência, o curso técnico abre muitas portas, inclusive as empresa procuram profissionais com esses cursos porque sabem que a bagagem é boa. Mas a faculdade ajuda você a se tornar um profissional mais completo - claro, se o curso for bom”, opina Andrea.
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