ComportamentoSair de casa? Nesse frio não!07/07/08 Por que sentimos preguiça no inverno Por Ana Paula Schleier
São diversos os fatores que influem na associação da preguiça ao frio. Para Ricardo Teixeira, PhD em Neurologia pela Universidade de Campinas, o mais relevante é o fator psicológico. “Para uma boa parte das pessoas, sair da cama pela manhã é muito mais penoso no inverno do que no verão”, afirma. Entretanto, segundo o neurologista, estudos recentes mostram que a preguiça é realmente física, e não da mente ou do cérebro, ao menos em situações de frio moderado, como é o caso do Brasil. “A falta de vontade de mexer-se está ligada, na realidade, à redução do nosso desempenho físico”, explica Ricardo. “O frio prejudica a função muscular em exercícios dinâmicos”, completa. A preguiça também pode estar relacionada à necessidade de o corpo manter seu calor. É importante guardar calorias para conservar a temperatura e sabe-se que quanto menos movimento, maior a caloria acumulada e, assim, mais aquecido fica o corpo. A luminosidade é outro fator que pode estar ligado ao comportamento humano durante o inverno. Mas isso ocorre com maior intensidade em países mais próximos aos pólos. Neles, o inverno vem acompanhado de pouca luz - os dias são mais curtos do que as noites – e esse fenômeno aumenta a freqüência de sintomas depressivos na estação. “E depressão é igual a cérebro menos eficiente”, finaliza o neurologista. Ainda segundo Ricardo, há evidências de que as concentrações dos hormônios da tiróide, que são importantes combustíveis para o cérebro, ficam reduzidas em invernos rigorosos. Xô preguiça! Uma dica para esquecer o conforto do sofá é fazer um esforço logo que acordar e exercitar-se. “Praticar atividade física pela manhã é uma forma de ativar o cérebro e o corpo para que comecem a trabalhar com mais disposição”, explica o imunologista Fabrício. “Quem o faz tem como resultado adicional a redução da preguiça durante o dia”. Além dos exercícios, outra forma de espantar a preguiça é enganar o cérebro usando roupas bem quentinhas. “A melhor dica para nosso cérebro curtir o frio com boa performance é a de nos agasalharmos bem para não ficarmos distraídos com o desconforto do frio”, explica Ricardo. “Viver o inverno sem ficarmos lembrando que está frio pode até deixar o cérebro mais ligado”, completa. Pra finalizar, mais uma dica do neurologista: um cafezinho também vai muito bem. |