ComportamentoÀ beira de um ataque de nervos?03/12/08 Calma! Antes de mais nada, é preciso diferenciar estresse de um dia ruim Por Silvia Caseiro
Segundo o médico homeopata Nicolas Roberto Schor, autor do livro “Doenças que você tem… e não sabe” e ex-diretor da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, a primeira dica é perceber se os acontecimentos ruins são isolados ou se você vem tendo maus dias sucessivamente - depois, verifique como reagiu a esses acontecimentos. “Se concluir que foi de maneira equilibrada e não contribuiu para que a situação ficasse pior, pode ficar tranqüila”, esclarece o doutor, ressaltando que quando alguém está estressado, reage agressivamente a vários estímulos do dia-a-dia, se irrita com qualquer coisa, discute e briga com as pessoas erradas, já que o estresse limita a capacidade de hierarquizar os problemas. E não é só a forma de reagir que define a pessoa estressada: o modo como ela percebe os ambientes e os indivíduos também é muito importante, pois o estresse a faz ver qualquer lugar e atitude de maneira hostil. “Se alguém não te cumprimenta e você está bem, sabe distingüir que é o outro que está com problemas. Agora, se você está mal, tende a acreditar que o ato é pessoal”, exemplifica Dr. Nicolas. Tempo para você Entre os principais sintomas do estresse, estão o cansaço freqüente, a ansiedade, a angústia, a preocupação, a tensão nervosa, a insônia, a irritabilidade e a agressividade excessivas. “Esses sintomas tomam conta das pessoas, a ponto de elas acreditarem que é normal viver dessa maneira”, afirma Dr. Nicolas, destacando que poucas pessoas se reconhecem estressadas. Para ter um diagnóstico do que está acontecendo, o ideal seria que cada um tivesse, dentro do seu dia, um espaço de descanso, para reflexão e observação de como se está vivendo e se esse estilo de vida corresponde aos seus valores. “As pessoas que não fazem isso não sabem que estão estressadas”, diz o médico. “A falta de tratamento faz o indivíduo ficar cada vez pior”, completa. O conselho do homeopata é tirar férias e, se não puder, fazer algo que lhe dê prazer ou motivação. “O mais estressante é viver uma vida sem significado, apenas correndo atrás do sustento e da sobrevivência, sem estar vinculado a um objetivo ou sonho maior. O estresse não vem do excesso de trabalho, mas de uma atividade diária descompromissada. Se você tem um retorno, seu trabalho pode até te cansar, mas não vai estressar”, observa. Gatilho para doenças “Do ponto de vista bioquímico, secretamos uma série de hormônios, como a adrenalina, por exemplo, que preparam o organismo para atacar e se defender de uma forma bastante enérgica. E como não fazemos muita atividade para liberar essas substâncias, ou seja, estamos mais parados do que andando, elas acabam nos fazendo mal”, explica Dr. Nicolas. Segundo ele, 70% das doenças atuais, das infecciosas às oncológicas, de alguma maneira se relacionam com o estresse. “Os estudos dizem que ele impede o organismo de se defender tanto de agentes externos como de internos”, afirma o médico, citando os principais distúrbios: gastrite, enxaqueca, problemas endócrinos e de pele, doenças cardíacas, entre outros. “Na visão homeopática, cada um tem a sua própria maneira de adoecer, e o estresse é o gatilho”, explica. |